Risco de quedas em idosos residentes numa comunidade rural

Publication year: 2017

Enquadramento:

A população idosa encontra-se exposta a um risco acrescido de quedas. Com o envelhecimento demográfico estima-se um aumento de quedas e suas consequências. O conhecimento do risco e dos fatores de risco para as quedas, permitem uma intervenção multifatorial dirigida, contribuindo para um envelhecimento ativo e saudável.

Objetivo:

Avaliar o risco de quedas em idosos residentes numa comunidade rural.

Métodos:

Estudo quantitativo, transversal, descritivo e correlacional, realizado numa amostra probabilística, selecionada de forma aleatória simples, com uma frequência estimada de 50% e com margem de erro aceitável de 5% e um nível de confiança de 95%. Constituída por 321 idosos, inscritos numa Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados, dos quais 175 (54,5%) são do sexo feminino e 146 (45,5%) do sexo masculino. A colheita de dados foi efetuada através do hétero preenchimento de um protocolo de avaliação, utilizando-se o Índice Modificado de Barthel, versão portuguesa Araújo, Ribeiro, Oliveira e Pinto (2007) e a escala de Morse, validada para a população portuguesa por Costa-Dias, Ferreira e Oliveira (2014).

Resultados:

A prevalência de quedas nos últimos 12 meses foi de 45,5%. Quanto ao tipo de queda verificamos que os idosos relataram na sua maioria o tropeçar (54,1%), escorregar (32,2%) e perder o equilíbrio (26,7%). Verificamos que 31,5% dos idosos não sofreram lesões, dos que apresentaram lesões as mais relatadas foram as escoriações (32,9%), fraturas (16,4%) e contusões (15,8%). A escala de Morse permitiu-nos verificar que 33% da amostra apresenta baixo risco de quedas e 7,2% alto risco. O risco de quedas associou-se com a idade, o número de medicamentos tomados diariamente, o índice de Barthel, o sexo, o estado civil, as pessoas com quem o idoso vive atualmente, o rendimento mensal, as habilitações literárias, o tipo de apoio, a prática de atividade física nos últimos 30 dias, a presença de dor, as quedas nos últimos 12 meses e o uso de auxiliares de marcha.

Conclusões:

Os resultados sugerem a necessidade de implementação de um projeto comunitário no âmbito da prevenção das quedas. Este projeto deve abranger prioritariamente os idosos com alto risco de quedas e as intervenções devem ser direcionadas para os fatores de risco identificados e potencialmente modificáveis.

Background:

The elderly population is exposed to a greater risk of falls. Due to the demographic ageing, it is estimated an increase in the number of falls and the consequences associated with it. Understanding the risk and the fall risk factors allows to have a specific multifactorial intervention, leading, therefore, to an active and healthy ageing.

Objective:

To evaluate the risk of falls in elderly people living in a rural community.

Methods:

Quantitative, cross-sectional, descriptive and correlational study conducted in a probability sample, randomly selected, with a 50% estimated frequency and a 5% acceptable margin of error and a 95% confidence level. The sample consists of 321 elderly people enrolled in a Personalized Health Care Unit. 175 (54,5%) are female and 146 (45,5%) are male. The data were collected through interview, filling in an assessment protocol form, using the Modified Barthel Index, Portuguese version Araújo, Ribeiro, Oliveira and Pinto (2007), and the Morse Scale, validated for the Portuguese population by Costa -Dias, Ferreira and Oliveira (2014).

Results:

The prevalence of falls in the last 12 months was 45,5%. As far as the type of fall is concerned, the elderly reported mostly tripping (54,1%), slipping (32,2%) and losing balance (26,7%). We found that 31,5% of the elderly had no injuries.

The elderly who had injuries reported the following ones:

abrasions (32,9%), fractures (16,4%) and bruises (15,8%). The Morse Scale allowed us to verify that 33% of the sample presents a low risk of falls and 7,2%. a high risk of falls. The risk of falls was associated with age, number of medication taken daily, Barthel's Index, gender, marital status, people with whom the elderly currently live, monthly income, education, type of support, practice of physical activity within the last 30 days, presence of pain, falls within the last 12 months and the use of walking aids.

Conclusion:

The results indicate the need to implement a community project to prevent falls. This project should focus primarily on the elderly population with a higher risk of falls and the interventions should focus on the identified and potentially modifiable risk factors.