Repercussões do afastamento paterno em decorrência do processo judicial por violência conjugal para crianças e adolescentes

Publication year: 2023

A violência intrafamiliar é um emaranhado problema de saúde pública que afeta todas as pessoas envolvidas sejam testemunhando ou vivenciando a nível global. Tais problemas impactam na saúde e apontam para a urgência de procedimentos de cuidado que elejam táticas de enfrentamento do agravo, sobretudo para crianças e adolescentes que se encontram em pleno desenvolvimento biopsicossocial e necessitam de um ambiente propício para alcançar todas as suas potencialidades. O Estudo teve como objetivo desvelar as repercussões do afastamento paterno em decorrência do processo judicial por violência conjugal para crianças e adolescentes. Pesquisa de abordagem qualitativa com cunho descritivo-exploratória realizada em parceria com a 2a Vara de Violência doméstica e familiar e a Operação Ronda Maria da Penha com oito mulheres em situação de violência. Adotou-se como critério de inclusão as mães terem filhas(o) menores de 18 anos fruto dessa relação e o pai estar afastado do convívio familiar devido ao processo judicial por violência conjugal. Como critério de exclusão não comparecer as entrevistas marcadas por três vezes ou apresentarem instabilidade emocional para realização da entrevista de acordo com avaliação da psicóloga. Na coleta dos dados utilizou-se entrevista semiestruturado que continha dados sociodemográficos e as seguintes perguntas norteadoras: Fale sobre o processo de separação do pai para sua/seu filha(o) e me fale da sua relação com sua(eu) filha(o) antes e depois do processo judicial por violência conjugal? Após a transcrição na integra das entrevistas estas foram organizadas e analisadas conforme a proposta da análise de conteúdo de Bardin. Salienta-se que se respeitou nesta pesquisa os preceitos éticos da bioética no que se refere a autonomia, Justiça, beneficência e não maleficência. As narrativas maternas revelaram que suas/seus filhas(os) experienciaram repercussões emocionais, comportamentais e psíquicas, como também revelou alterações dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes após o afastamento paterno no contexto de violência, o que sugere um olhar amplificado para essa população, com intuito de mitigar o sofrimento vivido e criar estratégias de enfrentamento do fenômeno. (AU)