Publication year: 2023
Introdução:
A Educação Interprofissional em Saúde (EIP) possibilita o aprendizado articulado e integrado entre diferentes áreas profissionais, vislumbrando melhorias na colaboração e qualidade da assistência em saúde. No cenário brasileiro há predomínio do modelo de formação uniprofissional, com organização disciplinar e foco na doença. Na Universidade de São Paulo (USP), as atividades de EIP são, majoritariamente, esporádicas e não-obrigatórias. Assim, torna-se importante estabelecer ações para a ampliação e o fortalecimento da EIP. Objetivo geral:
Elaborar um plano de ação para a Educação Interprofissional em Saúde na Universidade de São Paulo. Objetivos específicos:
i. Analisar os Projetos PolíticoPedagógicos (PPP) dos cursos de graduação em saúde, na perspectiva da EIP; ii. Identificar espaços comuns para inserção de EIP nos currículos dos cursos; iii. Reconhecer limites, possibilidades e perspectivas para a interprofissionalidade, sob a ótica de docentes e estudantes. Método:
Estudo qualitativo, interpretativo, baseado nos pressupostos da pesquisa-ação. Na primeira etapa foi realizada análise documental de 13 Projetos Políticos Pedagógicos de cursos de graduação em saúde. Na segunda etapa foram realizados quatro Grupos Focais, on-line síncronos, com sete docentes e quatro estudantes. No tratamento dos resultados, foi utilizada a análise de conteúdo temática, sendo que na segunda etapa o referencial teórico utilizado para análise foi a Teoria da Atividade Histórico-Cultural. Resultados:
Da análise documental emergiram três categorias. Na primeira categoria, A organização curricular e a interprofissionalidade", foi identificado que os cursos não apresentam períodos livres, com diferentes espaços para abrigar disciplinas optativas entre os cursos. Na segunda, A formação orientada pela realidade social e necessidades de saúde, propõe-se uma formação baseada nas necessidades de saúde dos usuários no sistema público de saúde. Na terceira e última categoria, O aprendizado para a atuação interprofissional", o termo multiprofissional caracteriza o aprendizado para o trabalho em equipe, com número discreto de disciplinas interprofissionais. Dos Grupos Focais, também emergiram três categorias. Na primeira categoria, O aprendizado a partir da realidade social no/pelo SUS como potência para a EIP a extensão e as políticas indutoras se destacam no movimento interprofissional, apontando-se como ações para EIP a necessidade de fortalecer a extensão e a interface ensino-serviço, assim como valorizar a preceptoria. Na segunda categoria, Organização curricular comum entre cursos, devido à inflexibilidade curricular, apontam-se como ações a criação de unidades curriculares comuns entre os cursos e o monitoramento das atividades de EIP. Na última categoria A formação e desenvolvimento de estudantes, docentes, profissionais e usuários, e o apoio institucional para EIP, o discreto contato e conhecimento sobre interprofissionalidade requer como ações a formação docente, para que haja desenvolvimento de atividades interprofissionais, e o apoio da gestão institucional. Considerações finais:
A fim de superar a incipiência da EIP no contexto analisado, é necessária a inclusão da interprofissionalidade como um propósito na formação, bem como a criação de atividades obrigatórias para os cursos da saúde. A qualificação da extensão, devido sua inserção no espaço de práticas, o fortalecimento entre o ensino e o serviço, com a valorização da preceptoria, e a formação docente são caminhos para a ampliação da EIP, considerando o apoio institucional fundamental para tornar possíveis tais caminhos.
Introduction:
Interprofessional Health Education (IPE) enables articulated and integrated learning among different professional areas, aiming at improving collaboration and quality of health care. In Brazil, there is a predominance of the uniprofessional training model, with disciplinary organization and focus on disease. At the University of São Paulo (USP), IPE activities are mostly sporadic and nonmandatory. Thus, it is important to establish actions for the expansion and strengthening of IPE. General objective:
Developing an action plan for Interprofessional Health Education at the University of São Paulo. Specific objectives:
i. Analyzing the Political-Pedagogical Projects of undergraduate health courses from the perspective of IPE; ii. Identifying common spaces for insertion of IPE in the curricula of the courses; ii. Recognizing the limits, possibilities and perspectives for interprofessionality from the perspective of professors and students. Method:
Qualitative, interpretative study, based on the assumptions of actionresearch. In the first stage, we conducted a documental analysis of 13 political pedagogical projects of undergraduate health courses. In the second stage, four synchronous online focus groups were conducted with seven professors and four students. In the treatment of the results, thematic content analysis was used, and in the second stage the theoretical referential used for analysis was the CulturalHistorical Activity Theory. Results:
Three categories emerged from the documental analysis. In the first category "Curricular organization and interprofessionalism" it was identified that the courses do not have free periods, with different opportunities for optional subjects among the courses. In the second, "The training guided by social reality and health needs", training based on the patients' health needs in the public health system is proposed. In the third and last category, "The learning for interprofessional action" the term "multiprofessional" characterizes the learning for teamwork, with a discrete number of interprofessional subjects. Three categories also emerged from the focus groups. In the first category "Learning from the social reality in/by the SUS as power for IPE", extension and inductive policies stand out in the interprofessional movement, pointing out as actions for IPE the need to strengthen the extension and the teaching-service interface, as well as to value the preceptorship. In the second category, the "Common curricular organization between courses", due to curricular inflexibility, it is pointed out as actions the creation of common curricular units among courses and the monitoring of IPE activities. In the last category "The training and development of students, professors, practitioners and patients and institutional support for IPE" the discrete contact and knowledge about interprofessionality, requires as actions the faculty training, in order to ensure the development of interprofessional activities, and the support of institutional administration. Final considerations:
In order to overcome the incipience of IPE in the analyzed context, it is necessary to include interprofessionality as a purpose in training, as well as the creation of mandatory activities for health courses. The qualification of extension, due to its insertion in the practice environment, the strengthening between teaching and service, with the valorization of preceptorship, and faculty training are ways to expand the IPE, considering the essential institutional support to make these ways possible.