Estudo da Avaliação da Perceção da Funcionalidade, Coesão e Adaptabilidade Familiar de Familiares de Idosos Institucionalizados

Publication year: 2024

A institucionalização do idoso é um tema complexo e delicado, que pode ter impactos significativos na vida dos idosos e das suas famílias. Várias são as razões que podem levar à institucionalização, como estados de dependência, solidão, falta de suporte familiar e necessidade de vigilância e acompanhamento no dia a dia. A institucionalização em Estruturas Residenciais para Idosos, como o próprio nome indica, admite idosos em regime de internamento. Nas mesmas são providenciados alojamento, alimentação e assistência de saúde, assegurando a prestação de cuidados adequados à satisfação das necessidades do utente, com vista à manutenção da sua autonomia e independência e promoção da sua qualidade de vida, potenciando a integração social e fomentando o processo de envelhecimento ativo. Este tipo de respostas sociais são muitas vezes a solução encontrada pelas famílias para cuidar do seu idoso. Não obstante, a participação da família na vida do seu familiar institucionalizado é de extrema importância e necessária, na medida em que o idoso deve nutrir um sentimento de pertença no seu seio familiar, e assentir que a família está presente e colaborante no seu dia a dia. Face ao exposto, surgiu a questão de investigação: Qual a relação entre as variáveis sociodemográficas e profissionais e a perceção da funcionalidade familiar, coesão e adaptabilidade familiar de familiares do idoso institucionalizado no concelho de Macedo de Cavaleiros? Objetivos: Analisar a relação entre as variáveis sociodemográficas e profissionais e a perceção da funcionalidade, coesão e a adaptabilidade familiar do familiar do idoso institucionalizado. Várias hipóteses de investigação foram elaboradas relacionando a funcionalidade familiar, a coesão e a adaptabilidade familiar com varáveis de caracterização do familiar, o número de visitas, o grau de parentesco com o idoso e as idas a casa, com o intuito de estabelecer uma relação estatística entre as varáveis sociodemográficas e profissionais, a coesão, a adaptabilidade e a funcionalidade familiar do familiar do idoso institucionalizado.

Metodologia:

Tratou-se de uma metodologia quantitativa, estudo observacional, descritivo, correlacional e transversal. O instrumento de colheita de dados foi o formulário aplicado aos familiares dos utentes residente em duas ERPI no concelho de Macedo de Cavaleiros em contexto de visita.

Resultados:

Antes da institucionalização 55,7% dos idosos viviam com os filhos e /ou cônjuge seguido de 40,6% dos idosos que viviam sozinhos. A ideia da institucionalização recaiu na sua maioria (74,5 %) sobre os filhos e ou cônjuge. A vigilância e acompanhamento (83%), bem como a dependência física (40,6%) foram os principais motivos apontados para a institucionalização. Na sua maioria (90,6%) a família considerou que a institucionalização foi a melhor opção para o idoso e considerou também que foi a melhor opção para a família (87,7%). Relativamente às idas a casa a maioria (50,9%) dos familiares da amostra optavam por dias não festivos do que por dias festivos (28,3%). Com a aplicação do APGAR familiar foi possível perceber que a maioria das famílias inquiridas (47,6%) eram altamente funcionais. A aplicação da Escala de FACES II, revelou que as famílias ao nível da coesão eram maioritariamente ligadas (53,8%) e ao nível da adaptabilidade flexíveis (47,2%), pelo que na sua maioria (48,1%) eram do tipo de família equilibrada.

Conclusão:

Foi possível caracterizar sociodemográfica e profissionalmente os familiares dos idosos institucionalizados inquiridos e, através das escalas APGAR familiar e FACES II, a sua perceção de funcionalidade familiar, coesão, adaptabilidade e tipo de família.

Relativamente à questão de investigação:

Qual a relação entre as variáveis sociodemográficas e profissionais e a perceção da funcionalidade familiar, coesão e adaptabilidade familiar do familiar do idoso institucionalizado no concelho de Macedo de Cavaleiros, foi possível estabelecer uma relação estatisticamente significativa entre a funcionalidade familiar e a coesão familiar (Χ2 49,042; p < 0,001), a adaptabilidade familiar (Χ2 41,400; p < 0,001) e o tipo de família (Χ2 52,456; p < 0,001). Foi também possível estabelecer uma relação estatisticamente significativa entre a funcionalidade familiar e o desempenho de um papel ativo por parte da família na vida do idoso, (Χ2 6,425; p< 0,05), o número de visitas (Χ2 20,498; p< 0,001), a união familiar, (Χ2 35,593; p < 0,001) e as idas a casa (Χ2 15,178; p< 0,001). Relativamente à coesão, foi possível comprovar relação estatística entre o número de visitas (Χ2 17,737; p< 0,001), o desemprenho de um papel ativo (Χ2 11,191; p < 0,01), e as idas a casa (Χ2 9,786; p < 0,01). Assim na adaptabilidade familiar foi possível determinar um relação estatística entre o número de visitas (Χ2 18,234; p < 0,001), o desempenho de um papel ativo (Χ2 7,760; p < 0,01) o hábito de levar a casa (Χ2 18,234; p < 0,001), a união familiar (Χ2 53,078; p < 0,001) e por fim a ideia da institucionalização partiu de quem ( Χ2 6,880; p < 0,05). No que diz respeito ao tipo de família concluímos relação estatística entre a ideia da institucionalização (Χ2 6,419; P < 0,05), o número de visitas (Χ2 11,910: p < 0.001), o desempenho de um papel ativo (Χ2 8,511; p < 0,01), o hábito de levar a casa (Χ2 15,072; p < 0,001) e por último a união familiar (Χ2 42,143; p < 0,001). No decorrer deste trabalho de investigação, foi também possível determinar qual a funcionalidade familiar, o grau de coesão e adaptabilidade familiar e consequentemente o tipo de família do idoso institucionalizado. Assim, face aos resultados obtidos, concluímos que os familiares de idosos com famílias percecionadas como funcionais mostram uma tendência clara de melhores índices de coesão, adaptabilidade, e classificação de família equilibrada apresentando união familiar, quando comparados com familiares de idosos de famílias percecionadas como disfuncionais demonstram menor tendência para visitar o idoso, para o levar para casa e para ter um papel ativo na vida do mesmo. Famílias extremadas ou de meio termo tendem a ter estruturas familiares mais rígidas e com menor interesse pelo idoso.
The institutionalization of the elderly is a complex and delicate issue that can have significant impacts on the lives of the elderly and their families. There are several reasons that can lead to institutionalization, such as dependency, loneliness, lack of family support and the need for day-to-day supervision and monitoring. Institutionalization in Residential Structures for the Elderly, as its name suggests, admits elderly people on an inpatient basis. They provide accommodation, food and health care, ensuring the provision of adequate care to meet the needs of the user, with a view to maintaining their autonomy and independence and promoting their quality of life, enhancing social integration and fostering the process of active ageing. This type of social response is often the solution found by families to care for their elderly. Nevertheless, the family's participation in the life of their institutionalized relative is extremely important and necessary, as the elderly person should feel a sense of belonging to their family and believe that the family is present and collaborative in their daily lives. In view of the above, the research question arose: What is the relationship between sociodemographic and professional variables and the perception of family functionality, cohesion and family adaptation of relatives of institutionalized elderly people in the municipality of Macedo de Cavaleiros? Objectives: To analyze the relationship between sociodemographic and professional variables and the perception of functionality, cohesion and family adaptability of the family member of an institutionalized elderly person. Several research hypotheses were drawn up relating family functionality, cohesion and family adaptability to variables characterizing the family member, the number of visits, the degree of kinship with the elderly person and trips home, with the aim of establishing a statistical relationship between sociodemographic and professional variables, cohesion, adaptability and family functionality of the family member of the institutionalized elderly person.

Methodology:

This was a quantitative, observational, descriptive, correlational and cross-sectional study. The data collection instrument was a form applied to the relatives of users living in two ERPIs in the municipality of Macedo de Cavaleiros in the context of a visit.

Results:

Before institutionalization 55.7% of the elderly lived with their children and/or spouse followed by 40.6% of the elderly who lived alone. The idea of institutionalization fell mostly (74.5%) on the children and/or spouse. Supervision and monitoring (83%), as well as physical dependence (40.6%) were the main reasons given for institutionalization. The majority (90.6%) of the family felt that institutionalization was the best option for the elderly person and also felt that it was the best option for the family (87.7%). With regard to going home, the majority (50.9%) of the family members in the sample chose non- festive days rather than festive days (28.3%). Using the Family APGAR, it was possible to see that most of the families surveyed (47.6%) were highly functional. The application of the FACES II Scale revealed that families were mostly connected in terms of cohesion (53.8%) and flexible in terms of adaptability (47.2%), meaning that the majority (48.1%) were balanced families.

Conclusion:

It was possible to socio-demographically and professionally characterize the family members of the institutionalized elderly people surveyed and, using the family APGAR and FACES II scales, their perception of family functionality, cohesion, adaptability and family type.

With regard to the research question:

What is the relationship between the sociodemographic and professional variables and the perception of family functionality, cohesion and family adaptation of the family member of the institutionalized elderly in the municipality of Macedo de Cavaleiros, it was possible to establish a statistically significant relationship between family functionality and family cohesion (Χ2 49.042; p < 0.001), family adaptability (Χ2 41.400; p < 0.001) and family type (Χ2 52.456; p < 0.001). It was also possible to establish a statistically significant relationship between family functionality and the active role played by the family in the elderly person's life (Χ2 6.425; p< 0.05), the number of visits (Χ2 20.498; p< 0.001), family unity (Χ2 35.593; p< 0.001) and trips home (Χ2 15.178; p< 0.001). With regard to cohesion, a statistical relationship was found between the number of visits (Χ2 17.737; p< 0.001), playing an active role (Χ2 11.191; p< 0.01), and going home (Χ2 9.786; p< 0.01). With regard to family adaptability, it was possible to determine a statistical relationship between the number of visits (Χ2 18.234; p < 0.001), playing an active role (Χ2 7.760; p < 0.01) the habit of taking them home (Χ2 18.234; p < 0.001), family unity (Χ2 53.078; p < 0.001) and finally the idea of institutionalization came from whom (Χ2 6.880; p < 0.05). With regard to the type of family, we found a statistical relationship between the idea of institutionalization (Χ2 6.419; P < 0.05), the number of visits (Χ2 11.

910:

p < 0.001), playing an active role (Χ2 8.511; p < 0.01), the habit of taking people home (Χ2 15.072; p < 0.001) and finally family unity (Χ2 42.143; p < 0.001). In the course of this research, it was also possible to determine family functionality, the degree of family cohesion and adaptability and, consequently, the type of family of the institutionalized elderly. Thus, in view of the results obtained, we conclude that the relatives of elderly people with families perceived as functional show a clear tendency towards better levels of cohesion, adaptability, and classification as a balanced family with family unity, when compared to the relatives of elderly people with families perceived as dysfunctional, they show a lower tendency to visit the elderly person, to take them home and to play an active role in their lives. Extreme or middle-of- the-road families tend to have more rigid family structures and less interest in the elderly.