Mapeamento de Experiências de Educação Interprofissional (EIP) nas unidades participantes do programa educação pelo trabalho na saúde, campus São Paulo, da Universidade de São Paulo
Mapping of Interprofessional Education (IPE) experiences in the units participating in the Education for Work in Health program, at the São Paulo campus, University of São Paulo

Publication year: 2023

Introdução:

A Educação Interprofissional em Saúde (EIP) tem se constituído como abordagem fundamental para proporcionar aos estudantes oportunidades de aprendizado compartilhado, favorecendo o desenvolvimento de competências para o trabalho em equipe, necessário para atender às necessidades de saúde, cada vez mais multifacetadas e complexas. Entretanto, o modelo de formação predominante ainda é uniprofissional. Na Universidade de São Paulo (USP), experiências de EIP na área de formação em saúde têm sido desenvolvidas, majoritariamente, em espaços extracurriculares ou optativos, sendo reconhecidas isoladamente, e limitadas a alguns cursos e iniciativas de professores. Para melhor compreender esse cenário, faz-se necessário mapear e caracterizar as experiências de EIP realizadas.

Objetivo:

Mapear experiências de EIP do campus São Paulo da USP, nas unidades participantes do Programa educação pelo trabalho na saúde (PET-Saúde/Interprofissionalidade).

Metodologia:

Pesquisa de abordagem quantitativa, realizada por meio de Survey descritivo-exploratório e transversal, com a utilização de formulário eletrônico on-line com professores vinculados às unidades participantes do PET-Saúde/Interprofissionalidade. A coleta de dados foi realizada de outubro de 2020 a maio de 2021, iniciada a partir da aprovação da pesquisa no Comitê de Ética de cada unidade de ensino participante, sendo estas: Escola de Ciências, Artes e Humanidades; Escola de Educação Física e Esporte; Escola de Enfermagem; Faculdade de Ciências Farmacêuticas; Faculdade de Medicina; Faculdade de Odontologia; Faculdade de Saúde Pública; e Instituto de Psicologia. Os dados coletados foram analisados descritivamente por meio de frequências absolutas e relativas. A existência de associações entre duas variáveis categóricas foi verificada utilizando-se o teste do qui-quadrado, ou teste exato de Fisher.

Resultados:

Foram mapeadas 34 experiências de EIP, envolvendo a participação de 3 a 4 docentes (23,5%) e até 20 alunos (30,3%), ocorrentes de 6 a 10 anos (45,2%). Houve maior participação, entre cursos, dos alunos de Psicologia (50%), Medicina (47,1%), Fisioterapia (44,1%), Enfermagem (44,1%) e Nutrição (44,1%). Quanto aos docentes, aderem ao EIP majoritariamente aqueles atuantes em Enfermagem, Nutrição e Medicina, com porcentagens iguais entre si e correspondentes a 32,4% cada. Discussão em grupo (70,6%) e a produção coletiva (41,7%) foram, respectivamente, a estratégia de ensino e a avaliação de ensino/aprendizagem mais adotadas. A estratégia para que o estudante autoavalie a experiência predominantemente foram reuniões/conversas com os estudantes (67,6%), e a maior parte das experiências acontece durante o curso (47,1%). De modo geral, as experiências acontecem em sala de aula (55,9%), relacionam-se ao ensino disciplina/eixo/módulo não obrigatório (50%) e à prática de extensão (47,1%), sendo estas previstas no Projeto Político Pedagógico (PPP) dos cursos (64,7%). Destacaram-se o apoio institucional, o interesse dos estudantes, o método ativo de ensino e a comunicação entre os docentes como aspectos que facilitam o desenvolvimento de experiências de EIP. Entre os aspectos que dificultam a implementação, a grade curricular inflexível, o sistema de matrículas e o apoio institucional se destacaram. A pouca aproximação com a EIP foi apontada como maior motivo de não participação dos docentes na experiência.

Conclusão:

Mesmo considerando o tamanho e potência do contexto universitário mapeado, observou-se um número baixo de experiências de EIP. Estas têm acontecido de forma muito semelhante ao encontrado na literatura nacional e internacional, com algumas divergências pontuais. As experiências ocorrem majoritariamente como disciplinas optativas e projetos de extensão, o que enfraquece a experiência e seu alcance. Para que haja um crescente aumento de políticas indutoras, que proporcionem maior apoio institucional, e maiores investimentos na EIP, precisamos avançar quanto à efetividade dessa abordagem educacional.

Introduction:

Interprofessional Health Education (IPE) usually was constituted as a fundamental approach to provide students with opportunities for shared learning, favoring the development of skills for teamwork, and health needs, are increasingly multifaceted and complex. However, the predominant training model is still uniprofessional. At the University of São Paulo (USP), experiences of interprofessional education in health have been developed, frequently in extracurricular or optional spaces, being recognized separately, and limited to some courses and initiatives of teachers. To understand this scenario, it is necessary to map and characterize the IPE experiences performed.

Objective:

To identify the interprofessional education experiences at the São Paulo campus of USP, in the units participating in the Education for Work in Health Program (PET-Health/Interprofessional).

Methodology:

Research of quantitative approach, carried out through descriptive-exploratory and cross-sectional Survey, using an online electronic form with teachers linked to the participating units of PETHealth/Interprofessional. Data collection was carried out from October 2020 to May 2021, starting from the approval of the research in the Ethics Committee of each participating teaching unit, these being: School of Sciences, Arts, and Humanities; School of Physical Education and Sport; Nursing School; Faculty of Pharmaceutical Sciences; Faculty of Medicine; Faculty of Dentistry; Faculty of Public Health; and Institute of Psychology. Data were analyzed descriptively through absolute and perceptual frequencies. The existence of associations between two categorical variables was verified using the chi-square test or Fishers exact test.

Results:

Altogether, 34 experiences of interprofessional education were mapped, by involving the participation of 3 to 4 teachers (23.5%) and up to 20 students (30.3%), occurring from 6 to 10 years (45.2%). There was greater participation among students from Psychology (50%), Medicine (47.1%), Physiotherapy (44.1%), Nursing (44.1%), and Nutrition (44.1%) courses. As for teachers, most of those working in Nursing, Nutrition, and Medicine adhere to EIP, with percentages equal and corresponding to 32.4% each. Group discussion (70.6%) and collective production (41.7%) were the most adopted teaching/learning strategy and evaluations, respectively. To assess the student's experience, the methodology applied was meetings/conversations (67.6%), and it happened during the course (47.1%). In general, the experiences that take place in the classroom (55.9%) relate to teaching discipline/ axis/ module not mandatory (50%) and extension practice (47.1%), which are provided in the Political Pedagogical Project (PPP) of the courses (64.7%). We highlighted the institutional support, the interest of the students, the active method of teaching, and the communication among the teachers as aspects that facilitate the development of interprofessional education experiences. Among the factors that make implementation difficult, the inflexible curriculum, the enrollment system, and institutional support stood out. The lack of proximity to interprofessional education was cited as the main reason for the lack of participation of teachers in the experience.

Conclusion:

Even considering the size and power of the mapped university context, a low number of IPE experiences were observed. These have happened similarly to that found in national and international literature, with some specific divergences. The experiences occurred as elective disciplines and extension projects, which weakens experience and its reach. To increase inducing policies, which provide more institutional support and promote investments in interprofessional education, we need to advance the effectiveness of this educational approach.